“Eu não sou um patinho feio, sou um patinho horroroso”, disse Bolsonaro, ao explicar sua escolha de migrar para o PEN, um partido nanico.

O deputado federal Jair Bolsonaro, hoje no PSC, participou de uma transmissão ao vivo no Facebook para anunciar que irá se candidatar à Presidência da República pelo partido “Patriota”, legenda criada a partir do Partido Ecológico Nacional (PEN). O deputado criticou os partidos, disse que “Deus não está no coração dos políticos” atualmente e pediu o aprofundamento da Lava Jato. Mais de 21 mil pessoas chegaram a assistir à transmissão, que tinha interpretação de Libras (linguagem de sinais) no momento de maior audiência, que chegou a ter 46 mil reações e 12 mil compartilhamentos.

Ele não vai se filiar ao PEN imediatamente. Isso porque poderia perder seu mandato de deputado caso migrasse de partido fora da janela eleitoral. Bolsonaro iniciou sua fala dizendo que hoje ainda não é o dia do seu “casamento” com a legenda, mas que será em breve.

Bolsonaro chamou seus apoiadores e eleitores para fazer o partido deixar de ser pequeno.

Ele afirmou acreditar que há riscos de fraudes nos processos eleitorais, ao comentar a votação da denúncia contra o presidente Michel Temer, pela Câmara, na semana passada. “Temer mostrou agora que democracia, para ele, é voto comprado, barganhado. Será que em 2018 nos vamos fazer papel de palhaço, votando em um presidente que já sabemos que estará eleito no segundo turno?”, disse. “Nós podemos não ser pequenos em 2019. Basta que você não vote neles em 2018”, afirmou em seu discurso.

“Dentro de pouco tempo, o partido Patriota pode receber Bolsonaro, suas ideias e seus projetos, pois está extremamente dentro dos ideais do partido, do seu diretório e seus membros”, disse Adilson Barroso, presidente do PEN.

O presidente do partido disse ainda que Bolsonaro vai representar muito bem o futuro Patriota, que tem como lemas a sustentabilidade e a justiça. Ele afirmou que a base do partido é promover a sustentabilidade na economia, educação, saúde, segurança e “fauna e flora”. “Deus tem trazido e Deus tem abençoado, pois é um partido abençoado. Fico chateado de ouvir que o PEN é nanico. Mas tem só 5 anos. Quem tem 5 anos está crescendo. Felizmente tem também que nos defenda”, afirmou Adilson Barroso. “O PEN tem a maior honra de receber nos seus quadros Jair Bolsonaro preparado e pronto para ser presidente da República”, afirmou.

Bolsonaro afirmou que torce para que a Operação Lava Jato “se aprofunde” cada vez mais. “Com corrupção, só Jesus Cristo para comandar esse país sentado naquela cadeira presidencial. Ninguém conseguira comandar esse país se a corrupção estiver falando muito alto no Palácio, ou melhor, no planalto central”, disse Bolsonaro.

O deputado também fez um pedido de desculpas em nome do PEN. Isso porque a legenda tenta derrubar no Supremo Tribunal Federal (STF) a decisão que permitiu a prisão em segunda instância. Ele disse que o partido “errou” ao ingressar com a ação, mas afirmou que o advogado que ingressou com a contestação procurou a legenda, pois nenhum de seus afiliados estava citado na Lava Jato.

“Não estou no meio de santos. Mas também não farei conchavo com o diabo. A política brasileira é isso. Qual classe é mais odiada e desprestigiada pelo povo do que a nossa? A crise é de homens, de credibilidade, de honradez, vergonha na cara, de respeito à família”, afirmou.

O fim do foro privilegiado para políticos, aprovado pelo Senado, também foi alvo de críticas. Na avaliação do deputado, com a mudança os políticos querem levar julgamentos contra eles para as primeiras instâncias nos estados. Bolsonaro afirmou que, sem mudanças, o atual sistema político irá se perpetuar “e o próximo presidente será do PT ou do PSDB” e vai escolher os ministros do STF, para serem julgados, no futuro, por esses mesmos ministros.

O deputado chegou a apresentar alguns dos pontos de seu futuro plano de governo durante o evento, realizado no Rio de Janeiro. Citou, por exemplo, que defende mudanças nas leis de licenciamento ambiental. “Os índios querem internet como a gente. O mesmo para os quilombolas”, disse o deputado, que afirmou que é preciso fazer mais hidrelétricas e obras e que é preciso mudar o licenciamento ambiental para tanto.

Ele reforçou o discurso que já sustenta em sua atuação parlamentar, contra a ideologia de gênero e contra o que ele chama de “kit gay” nas escolas, com materiais didáticos que apresentem questões de gênero.

Com um discurso nacionalista, Bolsonaro disse que a energia e a mineração estão “na mão dos chineses” e que é preciso que o governo tome cuidado para que os alimentos também não fiquem nas mãos de estrangeiros com permissão da compra de terras por não brasileiros.

Ele também criticou o PT. “Eles querem roubar algo maior do que a Petrobras, as nossas riquezas, que é nossa liberdade”, afirmou, ao criticar a ideologia do partido.

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